domingo, 16 de dezembro de 2012
Existe cultura no Rio?
Para a minha infelicidade financeira a Livraria Cultura, versão carioca, abre amanhã, dia 18, bem pertinho de casa. Não tão gigante como a matriz da Avenida Paulista, mas é de fazer as concorrentes do Rio usarem a hashtag #chatiada. Na realidade fui convidado juntos com algumas blogueiras, (shame on you), para ver como está a montagem loja. E, apesar da bagunça, e dos nervos à flor da pele. Tive que escutar um “Não mexe que tem que ficar tudo alinhado”, a estrutura ta coisa linda de Deus. A equipe que recebeu a gente teve paciência e foram todos uns queridos. É bonitinho ver alguém com sotaque paulistano se esforçando para agradar a cariocada. “Tarra” um calor de 40 graus lá dentro, mas todo mundo trabalhava animado ao som de Coldplay, o disco repetiu umas três vezes. ;P. O arquiteto deve ser o mesmo e trouxeram o mesmo padrão “Cultura” para a cidade, (graças a Oxalá). É bonito ver como eles respeitaram os antigos traços do finado cine Vitória com seus majestosos traços Art Déco. Na parte que ficava a tela, construíram um espiral de estantes, onde, no subsolo, fica o teatro, que será inaugurado somente em fevereiro e termina com um espaço geek na parte superior. Tem ainda um simpático V. café, que é do Viena (melhor que o McStarbucks) com uma varando que promete ser simpática. Ou seja, no geral é um presentão para o sempre esquecido centro, que já teve seu glamour. Talvez até ajude a melhorar o fluxo do caidinho Odeon, que é lindo, mas é pobrinho de público no dia a dia. O acervo é indiscutível. Na parte de vinis dei chilique tipo fã do Luan Santana ao ver os discos (Esperanza Spalding e In Rainbows do Radiohead). Na Cultura, diferente da nossa pomposa Travessa, é possível encontrar coisas com preço bem honesto, há cerca de um mês comprei uma edição linda em inglês de Jane Eyre por apenas R$50tão. Enfim, vale a pena conferir esta semana e comprar presentinhos de Natal por lá, não deu para fazer fotos, pois a bateria do meu celular Nokia cobrinha is gone. Estou falando como se fosse a estreia da marca no Rio, mas não é, já existe uma cultura menor no Fashion Mall, mas não creio que o Fashion Mall seja Rio de Janeiro. Saindo de lá fui correndo para o Unibanco Arplex (Hoje Itaú Cinemas) e vi quase todo o filme, Infância Clandestina, (que é tipo um “O Ano em que meus pais saíram de férias argentino”), muito boa até onde eu vi. Después, fui correndo para o Cinemark do Botafogo Praia Shopping assistir cazamigue O Hobbit, não sou tão viciado na saga dos anéis para poder fazer uma avaliação nerd. Cabe tanta gente naquela sala que me senti dentro de um Airbus A380. Agora vou tomar um dramin e tentar dormir.
A Revista Innovative fez um post completinho sobre o lançamento. Tem fotos e mais detalhes.
E texto da Veja falando sobre a importância dessa revitalização.
quarta-feira, 12 de dezembro de 2012
Na Cama com Woody Allen
Sempre que quiser trepar com pseudo-intelectual com cabelo ensebado e óculos de aro largo (incluindo eu sem o óculos for while) basta falar com propriedade sobre Woody Allen na mesa do bar. Como a idade tem me feito mais caçador do que caça, acabo de comprar "Como Woody Allen Pode Mudar Sua Vida" na Travessa, foi baratinho tipo 19 mangos.
Apesar do nome auto-ajuda, o livro fala sobre tudo que gosto, é empolgante e traça uma análise bacana sobre a obra do judeu novaiorquino e ainda relaciona a visão dele com a Psicanálise. Dá pra ler em uma sentada.:p
PS. Meu aniversário de 2011 foi em Barcelona pois Vicky Cristina Barcelona é um dos filmes of my life. Sou um pouco de cada personagem, aliás, todos somos. Não teve passeios de bike e muito menos novas paixões, mas rolou banho pelado no Mediterrâneo com a Laíse e o Gui.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Sobre Karina Buhr, Recife e Era uma vez Eu, Verônica
Já que voltei a escrever após um período hiato, (clariciando), tenho obrigação intelectual de falar sobre um achado pelas minhas andanças pelo cinema Itaú do Gay Caneca em São Paulo.
Foi assim, comprei uma coca e uma pipoca que foi mais cara do que o cinema e optei por assistir um filme sem ler a sinopse, foi pelo horário mesmo. Tava lá o cartaz de Era uma Vez Eu, Verônica, do Marcelo Gomes diretor Madame Satã, mas eu nem me atinei para isso até então.
Mas vamos lá, não sou crítico de cinema, nem sou erudito o suficiente para isso, de crítico só tenho a arrogância. Mas ando meio desapontado com o cinema falado em português nos últimos meses. Sentadinho de bermudinha jeans cortada, pude ver na tela um dos filmes que certamente estão entre meus top 5 do ano. Um atriz com cara de Macabea, (Hermila Guedes), uma cidade que nem me despertava tanta curiosidade assim, (Recife) e uma cantora quase desafinada (Karina Buhr) foram as coisas que mais me tocaram no filme.
Que delícia! que tesão de filme e que vontade doida de sair correndo para Pernambuco, falar daquele jeito e me banhar naquele mar. Como a história consegue ser realista e a heroína Hermila Guedes consegue adquirir uma beleza de Natalie Portman com sua interpretação minimalista. Ponto para o cinema. Não fico militando a favor do cinema nacional. Verônica tem muito da personagem de Clarice Lispector, o vazio, a dúvida e o modo como deixa a vida nos conduzir pelas maré. E, se tratando de vazio, solidão e dúvida, são pontos em comum para todo ser humano que parou um minuto para pensar sobre a própria vida. Ps Desde então to viciado em Karina Buhr, que eu pensava "ignorantemente" ser apenas uma cosplay nordestina da Céu. E confesso que chorei minhas próprias mazelas ao escutar "O Que Importa" da Marisa Monte, na interpretação de sei lá quem...
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cópia fiel - Abbas Kiarostami
Eu não estou certo de que meu sentimento com os filmes ultimamente estejam associados a fatos correlatos em minha vida, obviamente estão, mas o que posso afirmar é que, quando um filme é bom, e ainda traz com ele o realismo árido do cinema iraniano, com uma fábula pastel européia, recheado de intrigas, amores, desencontros, arte e questões filosóficas batidas no liquidificador. É capaz de me deixar com o estômago dolorido, e foi isso que fez a interpretação primorosa da Juliette Binoche (que nem sou tão fã) com a direção minuciosa de Abbas Kiarostami. Eu revivi ali naqueles diálogos todos os meus dramas dos últimos meses, seja na mistura de idiomas, nas diferenças culturais. Mas o principal, duas pessoas extremante apaixonadas com visões distintas sobre o amor e sobre a vida e, ainda no meio, interesses pessoais. Não sei se com a subida dos créditos, eu pensava no filme ou nos meus próprios dramas. E assim como Elle, eu sei bem que lindos lábios podem dizer coisas do tipo: I didn't mean to sound so cynical, but when I saw all their hopes and dreams in their eyes, I just couldn't support their illusion.
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