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domingo, 9 de dezembro de 2012
Sobre Karina Buhr, Recife e Era uma vez Eu, Verônica
Já que voltei a escrever após um período hiato, (clariciando), tenho obrigação intelectual de falar sobre um achado pelas minhas andanças pelo cinema Itaú do Gay Caneca em São Paulo.
Foi assim, comprei uma coca e uma pipoca que foi mais cara do que o cinema e optei por assistir um filme sem ler a sinopse, foi pelo horário mesmo. Tava lá o cartaz de Era uma Vez Eu, Verônica, do Marcelo Gomes diretor Madame Satã, mas eu nem me atinei para isso até então.
Mas vamos lá, não sou crítico de cinema, nem sou erudito o suficiente para isso, de crítico só tenho a arrogância. Mas ando meio desapontado com o cinema falado em português nos últimos meses. Sentadinho de bermudinha jeans cortada, pude ver na tela um dos filmes que certamente estão entre meus top 5 do ano. Um atriz com cara de Macabea, (Hermila Guedes), uma cidade que nem me despertava tanta curiosidade assim, (Recife) e uma cantora quase desafinada (Karina Buhr) foram as coisas que mais me tocaram no filme.
Que delícia! que tesão de filme e que vontade doida de sair correndo para Pernambuco, falar daquele jeito e me banhar naquele mar. Como a história consegue ser realista e a heroína Hermila Guedes consegue adquirir uma beleza de Natalie Portman com sua interpretação minimalista. Ponto para o cinema. Não fico militando a favor do cinema nacional. Verônica tem muito da personagem de Clarice Lispector, o vazio, a dúvida e o modo como deixa a vida nos conduzir pelas maré. E, se tratando de vazio, solidão e dúvida, são pontos em comum para todo ser humano que parou um minuto para pensar sobre a própria vida. Ps Desde então to viciado em Karina Buhr, que eu pensava "ignorantemente" ser apenas uma cosplay nordestina da Céu. E confesso que chorei minhas próprias mazelas ao escutar "O Que Importa" da Marisa Monte, na interpretação de sei lá quem...
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cópia fiel - Abbas Kiarostami
Eu não estou certo de que meu sentimento com os filmes ultimamente estejam associados a fatos correlatos em minha vida, obviamente estão, mas o que posso afirmar é que, quando um filme é bom, e ainda traz com ele o realismo árido do cinema iraniano, com uma fábula pastel européia, recheado de intrigas, amores, desencontros, arte e questões filosóficas batidas no liquidificador. É capaz de me deixar com o estômago dolorido, e foi isso que fez a interpretação primorosa da Juliette Binoche (que nem sou tão fã) com a direção minuciosa de Abbas Kiarostami. Eu revivi ali naqueles diálogos todos os meus dramas dos últimos meses, seja na mistura de idiomas, nas diferenças culturais. Mas o principal, duas pessoas extremante apaixonadas com visões distintas sobre o amor e sobre a vida e, ainda no meio, interesses pessoais. Não sei se com a subida dos créditos, eu pensava no filme ou nos meus próprios dramas. E assim como Elle, eu sei bem que lindos lábios podem dizer coisas do tipo: I didn't mean to sound so cynical, but when I saw all their hopes and dreams in their eyes, I just couldn't support their illusion.
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