No começo da década, há alguns anos, quando para mim tudo que transgredia e era anormal me apatecia, surgia Lost. Longe de ver na Tv a cabo e muito menos na web, pois era mais fácil fazer fogo em ilha deserta do que download em Três Lagoas, interior do Mato Grosso do Sul. Foi na Globo mesmo, a primeira vez que vi, nem consigo me lembrar como eram as vozes dos dubladores (ainda bem). Nessa época dividia uma casa com uma porrada de gente, e o mais próximo de uma TV que tínhamos, era uma daquelas que para ligar se puxava um botão, e o William, o proprietário, ameaçava tirá-la do lugar comum da casa. Mas eu e a Lika nos empolgávamos com aquela novidade toda, aquele roteiro maluco, enfim, tudo de Lost que já foi dito.
Alguns anos se passaram, estamos no finalzinho da década e o fim de Lost leva embora uma porrada de sonhos que não tenho mais, bate uma melancolia, saudades de uma época que pintava a vida de maneira tão diferente. Quando para mim pegar carona e percorrer 300 km era comum, empolgante. Período que ficava acelerado de ver amigos fumando maconha. Os primeiros porres e beijos a três.
Hoje meus sonhos e objetivos são outros, o mochilão pela Europa ta quase cedendo lugar a um carro popular, faço planos pra casa própria, vou ao cinema ver filme blockbuster e não tenho mais saco de escutar música alta, muito menos ficar de pé suando e pulando loucamente em uma boate. Não admiro mais intervenções artísticas no meio da rua, odeio quando inventam de fazer qualquer protesto que atrapalhe o trânsito.
Lost vai embora e percebo que envelheci junto com a Kate, Jack, Sawyer. Estava começando a ficar mais parecido com o Hurley, quando tratei de me matricular em uma academia aqui perto de casa. Para mim já não era mais a mesma série, a mesma devoção. Tudo que foge muito da realidade me faz perder a paciência.
Gosto de coisas práticas e confortáveis. Meus sonhos e ideologias agora se resumem a tudo que faça aumentar meu salário. Plano de carreira, esta é a meta.
Lost leva as últimas coisas que restavam do garoto que usava calça xadrez e achava que só era importante quem tinha tatuagem bacana. Hoje me tornei a classe média medíocre e pagadora de imposto que um dia tanto critiquei.
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