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segunda-feira, 20 de outubro de 2008


Dia desses procurei uma cartomante. Coisa barata. Não sou desses que paga mais de 50 reais por uma consulta. Tive que subir uma ladeira de pedra até chegar na casa de madame Sônia. Era um dia chuvoso, o que tem sido muito comum no Rio. E, chegando até o endereço anotado em um guardanapo de boteco pensei em voltar para casa. O que estou fazendo aqui? Do que serviu aquele livro empoeirado de Nietzsche que eu fingi ler só para impressionar amigas gordas-lesbicas-intelectuais. O fato é que eu estava ali, em um pombal qualquer de Copacabana, dividindo um elevador de veludo azul com prostitutas e travestis.
Bati na porta mais de uma vez, sem sinal de vida, pensei novamente voltar. Lembrei das avemarias que rezava com minha mãe em dias de novena. O que minha mãe se estivesse viva pensaria de mim? Católica fervorosa que era. Mas já que estava lá, decidi bater mais uma vez. Ouvi um já vai abafado, daqueles pronunciados com um cigarro na boca. Aliás, aquele lugar era incensado com tabaco. Mas era interessante, fazia parte do contexto, assim como a garota de olho fundo cabisbaixa no canto do corredor escuro. Madame pode me atender? Entra aí, sabe que recebo antes né, porque como não sou dessas que esconde a verdade, cliente tem mania de não querer pagar depois. Foi então que entrei na casa da cartomante, um conjugado de parede rosas e decoração equivocada e mais sincrética que Clara Nunes. Nossa Senhora do Rosário dividia o altar com um Preto Velho em um faraó do Egito Antigo.
Senta aí meu lindinho, to sentindo você tenso. Um menino tão novo não é pra ta desse jeito, mas fica tranqüilo que já vejo respostas para suas perguntas. Enquanto a madame terminava seus afazeres eu ficava ali estagnado sem acreditar no que estava acontecendo. Após apagar umas velas ela pediu para que eu sentasse na cadeira de uma mesinha tubular branca das casas Bahia, nada parecido com uma mesa redonda tradicional de Bruxa com bola de cristal no centro. Ela pausou, respirou fundo e pediu para que eu cortasse o baralho, até se esqueceu de me cobrar antes, mas como eu não havia me esquivado, ela resolveu seguir com a consulta.
Escolhi as quatro cartas, de design muito interessante por sinal e ela foi me dizendo coisas, coisas que queria ouvir, coisas que queria acreditar. Como se a partir dali eu pudesse parar de temer os boletos no final do mês. Falou da família, de falsas amizades, da saúde e de trabalho, coisas que não gastarei contando a vocês. Eu acreditei em tudo, estava tudo muito claro naquela sala mal iluminada. Mas no meio da consulta a senhora com idade para ser minha mãe começou a movimentar o decote de um modo diferente, esqueceu as cartas e começou a falar da sua vida, da sua solidão e de seu marido que se matou. Poderia fornecer muitos detalhes da conversa, da consulta, e das confissões da cartomante. Mas o mais interessante foi que eu acabei me enroscando com aquela senhora no chão cheio de bitucas de cigarro da sua casa. E que só lembro do momento em que ela colocou a mão dentro do meu jeans, não me recordo do pagamento, das promessas e do caminho. A única certeza que tenho é o destino de meus delírios e do cheiro de Avon na minha pele.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Agostinho Carrara Fazendo Graça

Pra quem não está sabendo, Pedro Cardoso fez um manifesto antinudismo no cinema nacional. Muita decadência essa história toda, mas só algumas considerações:
Eu apoio, que nenhum diretor pervertido nos obrigue a ver tal cena.
Que falta do que fazer gente, vai caçar um episódio de Grande de Família pra gravar!




Quem está interessado em ver Pedro Cardoso pelado coloca o dedo aqui, que já vai fechar!