quarta-feira, 21 de maio de 2008


Vejo algumas roupas espalhadas pelo banheiro e um pouco de pó sobre a mesa. A louça ainda está suja. Algumas garrafas de vinho vazias no lixo. Olho pela a janela, ainda é dia, apesar do céu estar nublado. Fico pensando; que belo dia de tristeza para se escrever. Que belo dia para mesclar palavras pesadas e sujas de sangue. Para falar de dor e cancro. Queria misturar substantivos, verbos e adjetivos para ser mais um a falar do amor irrealizável, do medo e da angustia. Dos desejos inconcebíveis.
Sento na frente do computador e observo uma coisa. Eu não estou triste. Estou bem. Já desenhei figuras coloridas no Paint e até dei umas remexidas ouvindo Role.
Será impossível escrever decentemente sobre as cores e risos? Seria eu capaz de ser lido e compreendido. Mas isso pouco importa, importante é estar feliz, importante é sentir aquilo que tantas linhas e livros amargurados não sentiram, mesmo que por um dia, mesmo que por um instante. To feliz. E não vou pedir licença a ninguém pra falar bobagens, para correr e tomar banhos de chuva.
As pessoas se identificam com a solidão, com a tristeza, com a dor. Todos fingem felicidade, eu não, neste momento me vejo em um desafio. Para mim, é melhor, mesmo que incompreensível fingir ser triste.

1 comentários:

Intimista disse...

Prosa... prosa... prosa...
Felicidade é arriscar no novo.

Belo dia para escrever. Não estou triste.

Adoro.
Parabéns...

prosa...Prosa...Prosa...

Quando fará poesias? rs