segunda-feira, 30 de junho de 2008

O homem de camisa xadrez


Alfredo ia todos os dias com uma camisa vermelha-xadrez para o seu trabalho.Era funcionário da construção civil. Ninguém sabia a relação de Alfredo com aquela cor ou com aquela camisa. E, Alfredo destoava dos outros operários, que se vestiam dignamente de uniforme bege. Não que Alfredo quisesse ser diferente, no fundo ele cultuava sua quase invisibilidade. Alfredo na verdade tinha grandes olhos vermelhos, tristes e solitários. E se questionava porque não se vestia de normalidade como os demais. Por que não fazia como todos, e usava pele de gente comum? Porque denunciar sua rebeldia, seus desejos e paixões por texturas e cores.
Ainda sim, ao olhares estranhos, Alfredo respondia com um sorriso sincero. Não que estivesse sempre sorrindo por dentro, mas é que Alfredo aprendeu que palavras amargas e rancorosas são bloqueios para uma vida saudável.
Por isso, Alfredo voltaria usar a camisa Xadrez novamente, porque o que mais o angustiava não era ser diferente externamente. O que mais perturbava era ver o quanto a indumentária de sua carne era xadrez, de bolinhas, azul turquesa. Alfredo não sonhava ser respeitado, só queria ser compreendido.

2 comentários:

Anônimo disse...

Para consolo do Alfredo: eu o compreendo, rsrs

=/*Âmanda*&%\°¬¢ ABAIXO ESCUDO DE RECENTIMENTOS disse...

p/ sermos compreendidos temos q nos expresar;de acordo com a expreção existe uma compreenção, as expreções abstratas pode ser compreendidas de varias formas, talvez as mentes peceguidas por opsão,compreenda como agreção e as mentes abertas pela aculturação compreenda com aceitação......talvez ñ entendamos nada + c fala de sentimento ja é um belo argumento.